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NO FLUXO DO CORAÇÃO




Por que nos sentimos tão bem junto à natureza? O que muda dentro de nós quando estamos cercados por árvores, flores, sons naturais, cheiro da terra? Existe uma conexão com tudo a volta! Os iogues do passado praticavam junto à natureza, as posturas, os pranayamas, meditação.

É comum as pessoas que vivem nos grandes centros urbanos perderem esta conexão. Suas vidas acabam sendo uma grande batalha, na luta contra os acontecimentos indesejados, com as pessoas, preocupadas com o futuro, com o que desejam ser/ter. Se valorizando por serem guerreiros ou guerreiras. Outras conseguem perceber que existe um fluxo natural dos acontecimentos que move todo o universo e, assim, se deixam ser levadas conscientemente por ele, fazendo suas escolhas.

Ao usar a força ou resistir ao fluxo natural da vida, perde-se muito tempo e energia. E ficar querendo controlar a situação para tornar a sua vida exatamente da maneira que um dia achou que deveria ser ou para manter determinada situação, padrão, pode gerar mais sofrimento. Pois, quando as coisas não acontecem como desejado, vem a frustração, a ansiedade, angústia, o medo do futuro e todas as inseguranças.

Podemos sentar por alguns minutos em frente ao mar, a uma árvore, jardim, ou contemplar o céu e observar o fluxo da respiração. Ela flui naturalmente. Posso controlá-la para que seja mais profunda, lenta ou para que a pausa entre uma e outra seja maior, ou mesmo para aquietar emoções, pensamentos, purificar meu corpo. Mas ao dormir, ou meditar, o fluxo torna-se natural, espontâneo, sem controle.

A vida pode ser assim também, ao permanecer centrado, conectado com seu coração - com a essência, a verdade, a percepção de que Somos Um. Sem tanto desejo, controle, “eu tenho que”, pois as “querências” acabam escravizando o indivíduo, tornando-o individualista, egocêntrico, acreditando ser a peça fundamental do enorme quebra-cabeças que é a existência. Ao passo que todos somos importantes e sem uma única peça, não há encaixe perfeito!

É uma qualidade confiar que o universo nos coloca exatamente onde precisamos estar em todos os momentos. Este fluxo é acessível a todos, porque ele se move através e ao redor de nós. Estamos sempre nesse fluxo. É apenas uma questão de saber se estamos dispostos a ir com ele ou resistir a ele. E aí entra a questão de abandonar a idéia de que precisamos estar no controle o tempo todo. O fluxo sempre irá levá-lo onde você precisa ir. Mas para isso é importante experimentar a entrega e expandir sua percepção.

Mas, para tanto, é necessário muito auto-estudo, auto-observação, e abertura para querer silenciar, ver, escutar, sentir, mudar, transformar. O passo maior a ser dado é a disciplina da mente. É aquietar o fluxo incessante de pensamentos para viver o presente, o agora e todas as oportunidades que surgem nele. A meditação é um caminho para este estado. Ao cessar as ondas mentais, os julgamentos, identificações - é possível perceber a pulsação, o ritmo, o calor do coração, e sentir que tudo ao redor pulsa neste mesmo ritmo natural.

Depois vem o desafio de aprender sobre como o fluxo pode ajudá-lo a conectar-se com a força que é maior que você e que está sempre lá para te apoiar. A decisão de ir com o fluxo pode te trazer coragem, porque você está abandonando a noção de que você precisa fazer tudo sozinho. Permanecer conectado ao fluxo do coração pode ser uma experiência e tanto!

Quando você está conectado com seu coração (sua essência), existe uma abertura para as possibilidades que existem além do alcance do seu controle. Lembra-se de quando era um bebê, que num momento chorava de soluçar e logo em seguida já dava gargalhadas? Naturalmente as emoções surgiam mas tudo ficava bem, sem a criação de defesas, reações, ressentimentos, frustrações. Era apenas o fluxo natural da vida. Nossas almas se sentem bem quando não nos apegando aos acontecimentos, independentemente se são bons ou ruins.

Como disse o grande mestre Jesus: “orai e vigiai”. No Maitri Upanishad, sobre a natureza da mente:

“declarou-se que a mente é de dois tipos: pura e impura (shudda e ashuddha). Ela se torna impura quando é tocada pelo desejo e pura quando se liberta do desejo”. (6.34.6)2


No próximo encontro de Yoga Verde no Parque Lage, sábado, 18/06, às 10h30, faremos um mergulho no fluxo do coração. Você está convidado!

Hari OM!

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