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YOGA E JUNG

Aula de Yoga no projeto do Governo Espanhol, Rio de Janeiro.

Para Jung, o corpo-respiração é algo imaterial: sua característica principal é animar e ser animado e representa, portanto, o princípio da vida. “A substância que anima o segredo divino está em toda parte, inclusive no corpo humano” (1968, p. 421).
Mais precisamente sobre o Yoga, Jung (1986) escreveu:

de fato, nestes exercícios, ela liga o corpo à totalidade do espírito, coisa que se pode ver claramente nos exercícios do prânayâma, onde o prâna é ao mesmo tempo a respiração e a dinâmica universal do cosmos. Como a ação do indivíduo é ao mesmo tempo um acontecimento cósmico, o assenhoreamente do corpo (inervação) se associa ao assenhoreamento do espírito (da idéia universal), resultando daí uma totalidade viva que nenhuma técnica, por mais científica que seja, é capaz de produzir. Sem as representações da ioga, seria inconcebível e também ineficaz a prática da ioga. Ela trabalha com o corporal e o espiritual unidos um ao outro de maneira raramente superada. ( p.55)

Um funcionamento inadequado da psique para Jung pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal pode afetar a psique. Para o autor, a psique e o corpo não estão separados, mas são animados por uma mesma vida, portanto, é preciso repensar a antiga concepção de oposição entre espírito e matéria, um estado de divisão e de intolerável contradição.

Mas se, ao contrário, formos capazes de reconciliar-nos com o mistério de que o espírito é a vida do corpo, vista de dentro, e o corpo é a revelação exterior da vida do espírito, se pudermos compreender que formam uma unidade e não uma dualidade, também compreenderemos que a tentativa de ultrapassar o atual grau de consciência, através do inconsciente, leva ao corpo e, inversamente, que o reconhecimento do corpo não tolera uma filosofia que o negue em benefício de um puro espírito. (id., 1993)

Libertar o corpo para que se expresse e demonstre níveis de significado através de manifestações aparentemente caóticas e destrutivas, é para Arnold Mindell um exercício de afastamento dos preconceitos conscientes de cada indivíduo, considerando então o corpo como um fato natural.

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